Maria Bethânia | Motriz (2005)



Embaixo a Terra, em cima o macho, o céu
E, entre os dois, a idéia de um sinal
Traçado em luz e em tudo a voz de minha mãe
E a minha voz na dela, a tarde dói de tão igual


Que tarde que atravessa o corredor!
Que paz! Que luz que faz! Que voz! Que dor!
Que doce amargo cada vez que o vento traz
A nossa voz que chama verde do canavial, canavial

E nós, mãe:
Candeias, motriz!

Aquilo que eu não fiz e tanto quis
É tudo o que eu não sei, mas a voz diz
E que me faz e traz capaz de ser feliz
Pelo Céu, pela terra a tarde igual pelo sinal, pelo sinal

E nós, mãe:
A penha, matriz!
Motriz, matriz, motriz.

(Caetano Veloso, 1983)